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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Porque não se deve dar ao bebé leite de vaca antes de 1 ano de idade?


Se fizerem uma pesquisa pela internet vão encontrar imensas respostas....aliás, achei que iria encontrar muitas opiniões contrárias, mas não, são unanimes: NUNCA INTRODUZIR ANTES DA CRIANÇA COMPLETAR 1 ANO.

Uma das razões mais engraçadas (para quem tem sentido de humor, é claro) é que a criança é humana, e não um vitelo, e por isso precisa do leite materno, e não de leite de vaca! E quando este não está disponível, deve ser encontrado um substituto adequado às carências nutricionais de um bebé humano, o chamado leite artificial ou suplemento. Então pergunto-me, porque existem pessoas que acham de inventar?!?

Os bebés (da éspecie humana, convém referir!) não possuem um sistema digestivo capaz de digerir as proteinas complexas do leite de vaca, por outro lado, o leite de vaca possui excesso de sódio, potássio e cloro, que sobrecarregam os rins imaturos de um recém-nascido, para além de que este leite não fornece as quantidades necessárias de alguns nutrientes como vitamina E, zinco e ferro, imprescindíveis para o crescimento exponencial que as crianças sofrem no primeiro ano de vida.

Claro que se pode pensar (ou dizer) que tudo isto é um exagero, e que A, B ou C beberam leite de vaca desde que nasceram e são saudáveis. Pode-se até pensar (ou chegar a dizer isto), mas nesse caso eu pergunto, porque se aceitam os estudos realizados e as opiniões médicas acerca de uns assuntos (que nos interessam), mas quando já não nos interessa, fazemos "orelhas moucas"?

É hoje consensual que a introdução do leite de vaca deve ser feita apenas após o primeiro ano de vida, e idealmente após o terceiro ano. Hoje em dia temos informação da qual não dispunhamos há anos atrás, por isso mudam as recomendações e aos poucos vão mudando os hábitos. A introdução precoce do leite de vaca é hoje relacionada com o aumento da probabilidade destas crianças virem a desenvolver  doenças crónicas ao longo da sua vida, como alergias, obesidade, diabetes mellitus, para além dos atrasos cognitivos e psicomotores que podem decorrem de carências nutricionais.

Para quem tiver mais curiosidade, basta uma breve pesquisa pela web, mas deixo aqui um artigo muito interessante.

domingo, 25 de julho de 2010

Gastroenterite infantil


A Francisca teve a sua primeira gastroenterite. Começou na sexta-feira à noite com vómitos, que se prolongaram até meio da manhã do sábado. Vomitava tudo o que lhe tentavamos dar de beber, o leite, a água, tudo! Até nos apercebermos que só podiamos dar uma colherinha de água de 5 em 5 minutos, nada lhe ficava no estômago.  Ainda não sabemos o que a causou, o certo é que o tão esperado descanso do fim de semana ficou adiado... a noite foi para esqueçer, mudamos os lençois 2 vezes, mais o berço todo vomitado, as roupas dela e da mamã, enfim...muito choro, pouco sono, e muita preocupação. Depois passou o dia muito paradinha, não comeu nada, apenas bebeu alguns líquidos. Por sorte dormiu muito!

Uma gastroenterite é uma infecção que atinge o sistema gastrointestinal (estômago e intestinos) ocasionando diarreias, cólicas intestinais e vómitos. Pode ser causada por vírus ou bactérias. A gastroenterite bacteriana é por norma mais grave. Mas a mais frequente em bebés e crianças é a causada por vírus, os rotavirus, e transmite-se facilmente entre crianças, mas também pode ser transmitida através de alimentos ou bebidas contaminadas.

O tratamento deve consistir repouso e hidratação (beber grande quantidade de líquidos).  Durante as primeiras 24 horas não se devem ingerir alimentos, e deve-se tomar água ou chá ou suplementos fornecedores de electólitos como miltina electrolit; Não se deve colocar açúcar na água, uma vez que este pode prolongar a diarréia. Maçãs, arroz branco e peito de frango são alimentos recomendados para uma dieta no tratamento.
 
Lavar as mãos muitas vezes é impriscindível, uma vez que evita uma das principais formas de contágio.

sábado, 10 de julho de 2010

Parto num hospital público ou privado?

Hoje em dia muitas mamãs optam por ter os seus bebés em hospitais privados. Há algum tempo atrás eu não conseguia perceber porquê. Pensava: " é porque querem fazer cesareana electiva", mas nem sempre é assim.
A minha bebé nasceu num hospital público apesar de eu ter sido seguida por uma obstetra no privado, e correu tudo bem, não tenho queixas a fazer, mas também não tenho grandes elogios, sobretudo depois de já estar na enfermaria com a minha bebé. Senti-me um pouco desamparada, mas a verdade é que também não tentei procurar mais ajuda e tentei sim desenrrascar-me com as ajudas que tinha de quem me ia visitar. Às vezes oiço dizer (de quem teve os seus filhos nos hospitais públicos) que estes são melhores, mais bem preparados, o que hoje em dia é uma tontice, hospitais públicos e hospitais privados, estão apetrechados com todos os equipamentos indispensáveis, e com pessoal especializado, de modo que os cuidados prestados são equiparáveis.

Então o que é diferente?

Já foram a um hospital privado? É tudo diferente!!! Há algum tempo atrás fui visitar alguém que estava num hospital privado, não para ter um bebé, mas por outras questões de saúde, e sabem que mais, fiquei boquiaberta. Os quartos, o facto de poder ter a companhia de quem se quiser, a não existência de horários de visita, nem de número de visistantes, a atenção das enfermeiras, dos médicos...enfim, não é possivel comparar...porque em termos de conforto, atenção e disponibilidade do pessoal que lá trabalha é tudo diferente. Agora percebo porque há mamãs que mesmo não querendo fazer cesareanas electivas (por escolha), optam pelos hospitais privados. Só há um senão, o preço.

O parto num hospital privado custa entre 2500 euros ( parto mais internamento) até 5000, dependendo se é um parto simples, cesareana, parto com complicações, se leva anestesia, qual a anestesia, tempo de internamento, enfim, dependendo de onde se faz o parto, até ao tipo de parto. Não é para todos os bolsos, excepto quando se tem um seguro de saúde que o pague na totalidade ou parcialmente, mas como um dia me disse uma amiga: " a qualidade paga-se!"

Talvez seja uma boa ideia fazer o tal seguro de saúde! Ainda não o fiz, mas cá em casa o papá e a piolha já têm, só falto eu. E digo-vos que para a piolha foi a melhor coisa, não há como ir a um hospital privado e ser logo atendida, com simpatia, sem olhares esquisitos porque por vezes as crianças fazem coisas que não conseguimos prever, e não é por nos distrairmos que somos piores mães. Muito melhor do que passar horas e horas há espera e ainda ouvir " mas não estava atenta" ou " tem de esperar três dias com febre antes de vir ao hospital"...

Mais sobre hospitais públicos vs privados aqui.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Doença de Hirschsprung

A doença de Hirschsprung afecta um em cada 5.000 bebés recém-nascidos. É ligeiramente mais comum em bebés do sexo masculino.

O que é a doença de Hirschsprung?

É uma doença do intestino grosso (cólon). Normalmente, as fezes são empurradas através do cólon por músculos. Esses músculos são controlados por células nervosas especiais chamadas células ganglionares. Crianças com a doença de Hirschsprung nascem sem células ganglionares na última parte do cólon (recto). Na maioria dos casos, apenas o recto é afetado, mas, em alguns casos, uma parte maior do cólon e até mesmo o cólon inteiro pode ser afetado. Sem as células ganglionares, os músculos nessa parte do cólon não conseguem empurrar as fezes para fora e elas acabam se acumulando.

Quais são os sintomas da doença de Hirschpung?

Os sintomas da doença de Hirschsprung geralmente aparecem em bebés, mas às vezes também podem aparecer em crianças mais velhas ou adolescentes. A maioria dos bebés com a doença de Hirschsprung não evacua nos dois primeiros dias de vida. A partir do terceiro, quase todos os bebês com a doença de Hirschsprung têm prisão de ventre e dificuldade em evacuar. As crianças podem vomitar e suas barrigas podem inchar porque não conseguem evacuar facilmente. Alguns bebês têm diarréia em vez de prisão de ventre. As crianças e adolescentes com a doença de Hirschsprung costumam ter prisão de ventre durante toda a vida. Essa doença pode atrasar o crescimento e desenvolvimento normal de algumas crianças.

Como é diagnosticada a doença de Hirschsprung?

Há três exames que são capazes de descobrir se o seu filho tem a doença de Hirschsprung:
  1.  Enema opaco
  2. Manometria
  3. Biópsia
Como é tratada a doença de Hirschsprung?

A doença de Hirschsprung é tratada com cirurgia. A cirurgia é realizada para remover a parte do cólon que não possui células ganglionares e ligar a parte saudável do cólon ao ânus. A operação pode ser realizada em duas fases. Na primeira, o cirurgião separa o cólon saudável do cólon afetado. O cólon é trazido para fora até a pele como uma colostomia (abertura do cólon ao abdômen) que então se esvazia em uma bolsa especial que os pais podem manejar. Vários meses depois, o cirurgião remove o cólon afetado e tira o cólon saudável da colostomia e o conecta ao ânus.
Em alguns bebés, a cirurgia pode ser realizada como uma única operação sem uma colostomia. Isso só pode ser realizado de forma segura caso o bebé seja saudável e o cólon não esteja cheio de fezes. Essa operação pode ser realizada através do ânus para que não seja necessário fazer nenhuma incisão na parte frontal do abdómen do bebé.

O que se pode esperar após a cirurgia?

Pode haver evacuação excessiva logo após a cirurgia, mas, a longo prazo, é mais provável que o problema seja prisão de ventre. No caso de prisão de ventre, recomenda-se que seu filho tenha uma dieta rica em fibras e líquidos. Talvez você deseje consultar um nutricionista para ajudá-lo a fornecer alimentos ricos em fibras para seu filho.
Algumas crianças necessitam de medicação (como laxantes) para controlar a prisão de ventre. A maioria das crianças aprenderá a usar a casa de banho normalmente, mas talvez levem mais tempo para aprender. A longo prazo, as crianças recuperarão bem. Mesmo após a cirurgia para a doença de Hirschsprung, há o risco de surgimento de uma doença chamada enterocolite.
Enterocolite é uma infecção grave do cólon que pode deixar as crianças muito doentes com diarréia forte. Elas freqüentemente necessitam tomar fluidos intravenosos e antibióticos. Essa condição parece ser mais comum nos primeiros anos de vida e raramente ocorre após os seis anos de idade.

Para obter mais informações visite aqui.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Medicação da epilepsia na gravidez

Idealmente, o controlo das crises deve ser alcançado seis meses antes da concepção. Quando possível, deve tentar-se a suspensão da medicação, ou pelo menos a sua conversão para monoterapia nas doses mais baixas possíveis. Se tal não for exequível, deverá ter-se em conta que o risco de uma malformação congénita induzida pelos antiepilépticos, apesar de significativo, é claramente ultrapassado pelos riscos para a mãe e para o feto de uma epilepsia não controlada. Note-se ainda que o risco de malformações minor em filhos de mulheres epilépticas, mesmo quando não foram expostos a fármacos in utero, é mais alto que na população em geral.

O suplemento de folatos, sobretudo com o uso do valproato de sódio, um mês antes e durante pelo menos o primeiro trimestre da gravidez, tem revelado interesse na redução de algumas malformações, nomeadamente as relacionadas com o tubo neural.

Após o diagnóstico de gravidez, a medicação não deve ser alterada. Nesta altura poderá ser aconselhado o diagnóstico pré-natal, com recurso à ecografia e à amniocentese, para diagnóstico de anomalias associadas aos anticonvulsivantes. Deve ser efectuada a monitorização sérica daqueles, pois ocorrem alterações da farmacocinética durante a gravidez que podem diminuir a sua concentração sérica. A dose deve ser ajustada de acordo com a sua concentração, a frequência das crises e a ocorrência de efeitos acessórios.

Cerca de uma a três semanas antes do parto está recomendada a profilaxia da coagulopatia por deficiência dos factores dependentes da vitamina K.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Substitutos da nicotina na gravidez


A nicotinoterapia de substituição (pastilhas ou adesivos) ou a terapêutica com bupropiona não deve ser instituída durante a gravidez. No entanto, pensa-se que um exposição inadvertida de
curta duração durante o primeiro trimestre não causará provavelmente dano ao feto. Por outro lado, há autores que consideram que a utilização cuidadosa de adesivos de nicotina em mulheres
previamente grandes fumadoras (> 20 cigarros/dia) poderáter uma relação benefício-risco positiva.

domingo, 16 de maio de 2010

Problemas oftalmológicos na gravidez e medicamentos

À excepção dos antibióticos (ver aqui) e soluções salinas, os colírios oftálmicos reservar-se-ão para situações em que a relação benefício-risco seja clara. Os beta-bloqueantes em particular,
poderão associar-se a bradicardia fetal e neonatal.
Quais são os problemas oftálmicos mais frequentes na gravidez?
Durante os nove meses de gravidez, sintomas como o desconforto provocado pelas lentes de contacto, mudanças no grau, olhos secos, inchaço nas pálpebras e maior sensibilidade à luz são considerados comuns. Qualquer outra mudança deve ser investigada atentamente.

"Visão manchada ou distorcida, além da formação de pontos pretos nas imagens, podem indicar um problema muito mais sério e a necessidade de acompanhamento oftalmológico durante toda a gestação e ainda depois". Antes de engravidar, pacientes com algumas condições pré-existentes, como glaucoma, pressão alta ou diabetes, devem procurar a orientação de um médico oftalmologista para que as alterações da visão sejam todas monitorizadas.
Os problemas visuais mais comuns durante a gravidez:

1. Olhos secos: "Trata-se de um problema temporário e que tende a desaparecer logo após o nascimento do bebé. O ideal é usar lágrimas artificiais para garantir maior bem-estar no período de gestação."
2. Sensibilidade à luz: "Geralmente, esse é um dos sintomas da enxaqueca, que pode ser acentuada no período da gestação por conta das variações hormonais. Neste caso, é melhor conversar com o ginecologista antes de fazer uso de qualquer medicamento, ainda que esteja acostumada."
3. Mudança de grau: "As variações hormonais também podem acarretar mudanças refrativas, aumentando a graduação dos óculos ou lentes de contato. Pergunte ao seu oftalmologista se não podem deixar a correção para depois da gravidez, já que o grau ainda pode regredir."
4. Visão manchada: "Durante a gestação, existe a probabilidade da mulher desenvolver diabetes, sendo que a visão manchada pode indicar alto nível de açúcar no sangue. Nesse caso, o acompanhamento de um médico oftalmologista durante todo o período é fundamental."
5. Formação de pontos pretos na imagem: "Tanto a visão manchada como a percepção de pontos podem ser sinais de pressão alta durante a gravidez. O quadro exige acompanhamento médico, já que níveis muito elevados de pressão sanguínea podem provocar o descolamento da retina."

sábado, 15 de maio de 2010

Medicação da hipertensão na gravidez


A hipertensão está associada a cerca de 5-10% das gestações. As situações de difícil controlo com medidas não farmacológicas podem ser tratadas com metildopa. A hidralazina e o propranolol
são boas alternativas de segunda linha.
O propranolol deve ser suspenso 1 a 2 semanas antes do parto (risco de bradicardia e hipoglicemia neonatais) e, embora menos eficaz, pode ser substituído nessa altura por hidralazina.
Tem surgido evidência de que os antagonistas do cálcio, nomeadamente a nifedipina, poderão ser seguros na gravidez, mas são necessários mais estudos (risco de hipóxia fetal por hipotensão
materna). Os diuréticos são de evitar, devido ao risco de distúrbios electrolíticos no feto e trombocitopenia.
O uso de inibidores da enzima de conversão da angiotensina e de inibidores da angiotensina está contraindicado na gravidez pela sua demonstrada teratogenicidade, nomeadamente nos 2º e 3º trimestres. Em princípio, uma curta exposição acidental no início da gravidez não trará problemas, mas a mudança para outro anti-hipertensor deverá ser feita logo que a gestação seja diagnosticada.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Medicação da asma na gravidez


O tratamento da asma na mulher grávida não varia, na sua essência, do tratamento da mulher não grávida: beta-agonistas, cromoglicato de sódio, nedocromil, brometo de ipratrópio, corticóides inalados. Pela maior disponibilidade de dados de segurança, serão possivelmente de preferir terbutalina ou salbutamol no caso dos beta-agonistas, e beclometasona, para a corticoterapia.
As xantinas reservar-se-ão para segunda linha e evitar-se-ão no último trimestre, devido ao risco de irritabilidade e apneia neonatal.
O uso de corticosteróides sistémicos, quando necessários nas exacerbações, parece ser seguro na gravidez; pode no entanto aumentar o risco de diabetes gestacional e, segundo alguns autores, induzir hipertensão.
Devido à sua introdução relativamente recente, os antagonistas dos leucotrienos (montelukast, zafirlukast) não serão opções de escolha na grávida, embora a sua utilização não pareça ser, em princípio, teratogénica.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Medicação para problemas respiratórios na gravidez


• DESCONGESTIONANTES NASAIS
São de evitar, especialmente as formulações orais e na grávida hipertensa. Preferir-se-ão as soluções salinas nasais ou aerossolizadas.

• MUCOLÍTICOS
O soro fisiológico aerossolizado e a hidratação são as medidas de eleição. A acetilcisteína e a bromexina constituem uma opção aceitável.

• ANTITÚSSICOS
Embora não pareçam ser problemáticos, dadas as baixas doses habitualmente utilizadas, os preparados com codeína são de utilizar apenas quando indispensáveis, o que será em princípio raro. Atenção: os preparados contêm habitualmente múltiplos ingredientes de segurança não estabelecida. Será sobretudo prudente evitá-los no final da gravidez (risco de síndrome de privação no neonato).

• ANTI-HISTAMÍNICOS
Clorfeniramina, difenidramina, loratadina são categoria B da FDA.

• CORTICOSTERÓIDES INTRANASAIS
A utilizar quando benefício potencial significativo (categoria C, FDA).

terça-feira, 11 de maio de 2010

Medicação dos distúrbios psicóticos na gravidez

Os sais de lítio são indubitavelmente teratogénicos quando administrados no primeiro trimestre da gravidez. De qualquer forma, o problema que se coloca sempre é o da ponderação benefício-risco, tanto para os neurolépticos de que se tem maior experiência, como o haloperidol, como para os mais recentes, como a clozapina, a olanzapina ou o risperidone. Em geral, não existem estudos apropriados que documentem o risco destes fármacos na gestação humana e/ou a evidência existente é indirecta ou inconsistente. Como para todos os psicotrópicos,a generalidade dos autores recomenda uma abordagem individualizada e atenta, tendo em conta a natureza e a gravidade da doença de base.

domingo, 9 de maio de 2010

Depressão e sua medicação na gravidez


Cerca de 10% das mulheres sofrem de depressão durante a gravidez, podendo necessitar de suporte farmacológico, não obstante o apoio psicológico.
Apesar de alguns antidepressivos tricíclicos serem teratogénicos em animais, não se têm detectado diferenças significativas na ocorrência de malformações em relação à população geral, tornando-os uma razoável opção terapêutica na gravidez segundo alguns autores. Dos inibidores selectivos da recaptação da serotonina, a fluoxetina ou a sertralina (categoria B da FDA) poderão ser de primeira escolha pois já se dispõe sobre estes fármacos de relativamente mais dados de segurança.
Com os antidepressivos, a possibilidade de ocorrência de problemas perinatais como a prematuridade ou o síndrome de privação no recém-nascido, é baixa, transitória e independente da dose.
Em geral, aplicam-se os mesmos princípios dos ansiolíticos em relação à suspensão de terapêutica prévia à gestação.

sábado, 8 de maio de 2010

Ansiedade e insónia na gravidez

As benzodiazepinas não parecem ser teratogéneos humanos major. Há no entanto alguma evidência, ainda que pouco consistente, da sua possível associação (1º trimestre) com lábio leporino e outras malformações, pelo que a realização de uma ecografia de nível 2 é importante. Já a exposição prolongada no último trimestre se associa de forma mais consistente à síndrome
do “bebé mole” e sinais e sintomas de privação, pelo que neste estadio da gestação, se a sua utilização for imprescindível, poderão preferir-se os fármacos de curta duração de acção.

Nas mulheres que fazem terapêutica ansiolítica crónica, a sua suspensão súbita pode levar a síndromes de privação graves, à reagudização do distúrbio de base ou à substituição pelo
consumo de etanol. O benefício penderá nestes casos para a continuação da terapêutica se a patologia subjacente for grave, eventual substituição por buspirona (categoria B da FDA), ou desmame progressivo.

Ansiedade na gravidez




sexta-feira, 7 de maio de 2010

Febre, dores e problemas inflamatórios na gravidez


A aspirina (excepto se de baixa dosagem) e os antiinflamatórios não esteróides em geral podem induzir o encerramento do canal arterial fetal, oligoamnios, discrasia hemorrágica e prolongamento do trabalho de parto, pelo que não devem ser dados na segunda metade da gravidez, especialmente de forma continuada.

O paracetamol constitui o fármaco de eleição. A sua combinação com di-hidrocodeína é de evitar na gravidez, especialmente junto ao parto (risco de síndrome de privação).

Quanto aos inibidores selectivos da COX-2 (COXIBEs), estudos em animais demonstraram efeitos teratogénicos apenas para doses várias vezes superiores às equivalentes de uso clínico em humanos. Dada a relativa exiguidade de dados específicos e de experiência clínica com estes fármacos, é prudente a sua abstenção na grávida.

Não se dispõem de dados sobre os proteolíticos, como a bromelaína ou a tripsina/quimotripsina, mas sabe-se que o seu uso é seguro no aleitamento.

Os miorrelaxantes como a orfenadrina e o tiocolquicosido foram associados a teratogénese em estudos animais com altas doses (categoria C da FDA), não se dispondo de dados em humanos, pelo que deverão evitar-se.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Problemas gastro-intestinais na gravidez e medicamentos


• NÁUSEAS E VÓMITOS
Afectam uma elevada percentagem de gestantes. Embora esta situação seja muitas vezes controlada com a mudança dos hábitos alimentares, pode tornar-se de tal forma grave que
seja necessário o recurso a medicamentos. A combinação doxilamina/piridoxina, os anti-histamínicos anti-H1 isolados (como o dimenidrinato ou a hidroxizina), e também a metoclopramida e as fenotiazinas não parecem apresentar aumento de risco de teratogenicidade.

• PIROSE, AZIA
Causam elevado desconforto, pelo que o recurso a terapêutica medicamentosa é muitas vezes necessária. O uso de antiácidos (contendo cálcio, magnésio, alumínio, ou alginatos) e do
sucralfato (baixa absorção) é considerado seguro. Os sais de magnésio serão preferíveis aos de alumínio na grávida obstipada. O bicarbonato de sódio é de evitar, pelo risco teórico de alcalose metabólica e de retenção hídrica materna e fetal. Não há relatos de toxicidade associada ao simeticone/dimeticone, antiflatulento frequentemente combinado aos preparados antiácidos comercializados. Os fármacos anti-H2 também serão em princípio seguros, embora a sua utilização seja provavelmente pouco racional no contexto da sintomatologia dispéptica comum da grávida; também quanto aos inibidores da bomba de protões, dos escassos dados disponíveis, não há até ao momento, evidência de teratogenicidade.

• DIARREIA AGUDA
Recurso essencialmente a medidas não farmacológicas. O uso de antidiarreicos deve ser de uma forma geral evitado. Os preparados probióticos regularizadores da flora intestinal (Lactobacillus acidophilus ou Saccharomyces boulardii), são considerados geralmente seguros, havendo inclusivamente estudos que incluíram o seu uso pré-natal na prevenção da vaginose bacteriana materna e de atopia na futura criança.

• OBSTIPAÇÃO
A hidratação e o aumento de fibra na dieta são essenciais, com eventual recurso a expansores à base de fibra (farelo, bran, ispagula). Os medicamentos contendo cáscara sagrada, psyllium e senne são teoricamente de evitar, pelo risco de estimulação uterina. A lactulose pode ser uma boa alternativa em casos mais refractários.

• HEMORRÓIDAS
Intercorrência frequente na gravidez que pode ser controlada com medidas gerais e os medicamentos tópicos habituais.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Gravidez e Medicamentos


Cerca de 2-3% das anomalias congénitas são induzidas por medicamentos. A escolha do melhor tratamento para uma mulher grávida é problemática, dada a pouca informação existente nesta área.

Quando é aprovada a comercialização de determinado medicamento, o seu conhecimento
associado à gravidez limita-se aos resultados de estudos em fase pré-clínica em animais (frequentemente de difícil extrapolação para os humanos) e à exposição humana acidental
durante a gravidez.

Após a comercialização, mais dados vão sendo obtidos essencialmente a partir de relatos de casos e estudos epidemiológicos retrospectivos ou, prospectivamente, através da farmacovigilância. Como os estudos de teratogenicidade têm habitualmente grandes limitações em termos de dimensão das amostras, têm sido produzidas cada vez mais meta-análises. Fundamentalmente, não existe nenhuma abordagem que permita estabelecer de forma absoluta e definitiva a segurança e os riscos dos fármacos na gravidez.

A FDA (US Food and Drug Administration) definiu várias categorias de medicamentos com base no seu risco de teratogenicidade (Quadro II). Algumas outras instituições propõem classificações diferentes, embora com uma “filosofia” semelhante. A categorização da FDA, propõe a classificação dos medicamentos dentro de 5 categorias diferentes:

Categoria A Estudos controlados em mulheres grávidas não demonstraram riscos para o feto no primeiro trimestre, não havendo evidência de risco nos trimestres seguintes. A possibilidade de dano fetal parece remota, e considera-se ser seguro para utilizar na grávida.

Categoria B Estudos em animais não demonstraram risco para o feto e não há estudos controlados em grávidas, ou estudos em animais demonstraram um efeito adverso mas estudos controlados em grávidas não demonstraram esse risco.

Categoria C Estudos em animais não indicam risco para o feto e não existem estudos controlados em grávidas, ou não existem estudos animais ou humanos. O risco do uspo destes medicamentos não é conhecido, e o medicamento deve ser usado apenas se os potenciais benefícios justificarem o risco potencial para o feto.

Categoria D Existe a evidência de risco fetal humano, mas existem situações em que os benefícios podem prevalecer em relação ao risco (doenças graves ou que põem em perigo a vida em que outros fármacos são ineficazes ou têm um risco superior). O infarmed classifica-o como evidência fetal em animais, mas a necessidade pode justificar o risco

Categoria X Existe um risco definitivo baseado na experiência humana ou em estudos animais e os riscos prevalecem sobre os benefícios da grávida. O medicamento está contraindicado na grávida ou mulher fértil.

NR Não classificado

As CONDIÇÕES AGUDAS E SINTOMÁTICAS são muitas vezes autolimitadas e minor e, portanto, é consensual que o tratamento não medicamentoso deve ser preferido sempre que possível. Ao decidir-se pelo tratamento médico, deve-se:
– quando possível, deferir o seu uso para depois do primeiro trimestre;
– usar a mais baixa dose eficaz e durante o mais curto lapso de tempo possível;
– evitar o uso de medicamentos novos, a menos que o seu perfil de segurança seja bem conhecido.

Uma listagem com todos os medicamentos e a sua classificação pode ser consultada aqui.

sábado, 1 de maio de 2010

Fazer o bebé arrotar

Há alguns dias atrás alguém perguntava-me se os bebés arrotam sempre? Eu respondi que isso depende dos bebés...eu ficava imenso tempo à espera, e a Francisca muitas vezes (a maior parte das vezes), não arrotava. Portanto, depende de bebé para bebé, e cada mamã é que sabe melhor como funciona o seu.
De qualquer forma, decidi colocar aqui um video sobre como facilitar a arrôto do bebé...

quarta-feira, 10 de março de 2010

Dentinhos de leite - que dor de cabeça!!

Desde sábado que os dias (e as noites!) não correm muito bem... primeiro a febre, depois o mal-estar, depois o choro, o colo, o acordar persistentemente a chorar...enfim, não aguento mais! Estamos agora na fase dos primeiros molares, e se posso afirmar que os outros dentes não custaram nada a nascer, quanto a estes...nem sei como descrever!
Tento pensar que ao bebé custa muito mais do que a mim, só assim mantenho o "tino", e não desato a perder o controle, mas não é fácil. Só quem passa por isto, não é verdade?

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